antropologia

Qual a importância da antropologia para a sociedade? E, para que serve a antropologia?

Poderíamos responder a essas perguntas, definindo antropologicamente os conceitos de sociedade e antropologia.

Neste sentido, antropologia é método, é forma de olhar para o mundo, através de óculos muito especiais, o olhar antropológico.

Antropologia pode ser definida, de maneira grosseira, enquanto o estudo dos seres humanos, e aí, voltamos a incorrer na mesma pergunta: e afinal, o que define um humano?

Protestos à favor da Educação, UnB em defesa da Educação

Fonte: Jéssica Zaramella, maio de 2019

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Escrito pela redação do site

Mulheres Kawaiwete

Fonte: Jéssica Zaramella, abril de 2019

Para pensarmos o que são os seres humanos, precisamos entender como eles vivem, o que eles fazem, quais suas expectativas, quais seus rituais...

São categorias muito abertas que dão margem a interpretação para várias formas de explicação. Neste sentido, a antropologia pode ser sumarizada enquanto o estudo da cultura, e do que a cultura representa.

São três as escolas tradicionais que observam o humano. A Inglesa, que está preocupada em definir parâmetros estruturais onde as relações se conformam.

Para a antropologia francesa, para além desta estrutura, há também de se observar os papéis genericamente desempenhados nas relações travadas.

A antropologia americana estuda e define a cultura a partir de si própria.

Voltamos então às perguntas iniciais: qual a importância da antropologia para a sociedade? Bom, neste sentido, pensando que a sociedade pode ser entendida pelas escolas antropológicas enquanto uma junção de estrutura, de papéis sociais e de cultura, a antropologia pode ajudar o Cientista Social a pesquisar metodologicamente seu funcionamento e o que a mantém coesa.

A antropologia serve, portanto, para ajudar o ser humano a compreender, para além da sociedade, a si mesmo, quando inserido nas estruturas, nas funções e nas culturas.

São recortes desta compreensão a educação, a saúde, o mercado, o governo, as ruas e as casas, a matriz energética, as relações internacionais, etc.

Antropologia encontra a convergência entre todos estes setores do ponto de vista humano: para que servem? como o impactam? quais suas consequencias para a vida das pessoas?

Antropologia é um relato pessoal a partir de categorias explicativas de carater mais universal, que compreendem as pessoas e as relações enquanto um conjunto integrado com o ambiente e as ideias realizadas na realidade.

Protestos à favor da Educação, luta do dia 15 de Maio de 2019

Fonte: Jéssica Zaramella, maio de 2019

Jéssica Zaramella

Jéssica Zaramella

Ex-aluna do curso de Ciências Sociais da PUC Campinas. Atualmente mestranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília

Nos últimos dias pude vivenciar uma das experiências mais marcantes da minha vida. Basicamente foram dias que fizeram todos os sacrifícios que fiz, e estou fazendo, valerem a pena. Estar longe da pessoa que eu amo, da minha família, dos meus amigos, da minha cidade e do meu lugar não tem sido nada fácil. Estar sozinha em uma cidade que não conheço, enfrentando todos os desafios e as angústias de um novo momento na minha vida acadêmica e profissional é, por muitas vezes, assustador. Já tive vontade de voltar para casa e já me perguntei "o que é que eu estou fazendo aqui?". Porém, os últimos três dias me fizeram lembrar o porquê de tudo isso. Muitos podem discordar do que vou dizer, mas fazer antropologia para mim é muito mais do que pensar grandes "teorias". Fazer antropologia está no corpo, nas experiências que nos penetram quando estamos junto daqueles que supostamente "estudamos". Fazer antropologia, ao meu ver, significa estar perto, permitir-se ser afetado por esse Outro. Acredito que as inspirações antropológicas surgem disso, as grandes elaborações são devedoras diretas dessas experiências e desses encontros. Assim, estar com os Kawaiwete nesses dias de ATL me renovou as forças, as quais preciso ter para continuar aqui. Eles me ensinaram nesse curto período coisas que são pensadas e vividas por eles há muito tempo. Tiveram muita calma para me ensinar e para responder minhas perguntas. Mesmo estando em um momento de luta, me receberam com muita hospitalidade. De fato, me deixaram participar de algo muito importante para eles. O que recebi nestes dias foi muito mais do que eu esperava. Por isso sou muito grata à todos eles. A despedida também não foi fácil, mas dissemos apenas "até logo", esperando que o reencontro seja em breve.


Voltei para casa com a resposta pronta para todas perguntas mais toscas que já ouvi: "Antropologia, pra quê?", "Por que você faz isso?" "Esse negócio de antropologia dá dinheiro?". A resposta para tudo isso é: Eu faço antropologia por eles, para eles e por causa deles. O que é importante para eles, é importante para mim. A luta deles é também a minha. Eu faço antropologia porque a causa indígena é nobre!

Publicado em 28 de abril. Fonte: perfil pessoal da antropóloga no Facebook